sábado, 29 de janeiro de 2011

Eu que não sei nada sobre o mar...

                                                                             Foto: Nelson Afonso - Olhares.com

Eu que não sei nada sobre o mar, já mergulhei fundo em um grande amor
E mesmo nunca tendo provado de sua água salgada já salguei meu rosto com muitas lágrimas, muitas vezes
E nunca tendo desafiado sua fúria, suas altas ondas já vivi muitas tempestades no meu "alto mar"
E mesmo sem poder parar a sua frente e admirar sua imensidão
Já me perdi na imensidão dos meus sonhos

E quase morri afogada em ondas de sentimentos intensos e confusos
Esperei pelo meu príncipe, cai do cavalo
E mesmo assim continuei sonhando e esperando

E quando tudo parece difícil é só subir no meu barco e deixar que ele me leve
Sem âncora, sem destino, só fé
Porque chegue ele onde chegar eu sei que meu Comandante estará lá

Eu que não sei nada sobre o mar, fiz um mar dentro de mim
Um mar particular onde posso mergulhar sem medo quando quiser

Eu que não sei nada sobre o mar
Ao menos tento descobrir um pouco sobre mim

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

A vida em pause

                                           Foto: Antônio Manoel Pinto Olhares.com

É, a vida sempre segue seu curso, querendo nós ou não, porque esses cursos nem sempre nos levam pra onde desejamos, mas pra onde precisam ir, onde pra onde acabam indo por erros que cometemos.

No meu momento atual não é esse o caso, uma situação nada agradável surgiu uma doença que trás no nome aquilo que nunca queremos ouvir, uma doença de sobrenome maligno. Só isso já parece assustador, mesmo que hoje em dia nem seja mais como antes, pra quem vive sempre é. Não, felizmente não é comigo, mas se pudesse ajudaria essa pessoa a passar por isso, dividiria a doença até. Mas não dá, só dá pra dar todo o amor que se tem, e compartilhar a dor.

E a vida vai seguindo, meu em pause, mesmo que tudo continue se movendo em volta, no coração tudo fica em câmera lenta, passa devagar a espera das próximas cenas, do fim de um filme ruim, pelo menos enquanto se está dentro dele é assim que ele parece. 

Nessas horas não adianta culpar ninguém, muito menos á Deus. Mesmo que a vida pareça ter parado ela não parou, continua, e é preciso ter fé para se continuar de pé. 

A gente sempre pensa que pode acontecer com todos, mas com a gente não né? Mas porque não? Não somos melhores, intocáveis, a vida é assim, esse vai e vem de mudanças, de acontecimentos bons e ruins, mas o bom é saber que tudo passa e que no fim de tudo nosso Pai estará lá dos amparando, aconteça o que acontecer.

Hoje eu não tentei ser criativa, nem inteligente, não posso dar mais do que tenho agora. Só quis abrir meu coração no mesmo lugar que já fiz outras vezes. E bom, eu espero voltar pra dizer que ficou tudo bem, mesmo que o bem que eu imagino não aconteça, "andar  com fé eu vou que a fé não costuma faiar". 

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Minha alma velha..


Foto Marta Almeida Olhares.com


Ouvi tantas vezes nos últimos dias que parecia uma velha que comecei a me perguntar se haveria algum sentido nisso. Será que eu sou velha em algum aspecto que não sei? Quando é mesmo que nossa geração começou a se sentir velha, ou antes, quando começaram a nos ver assim?

Não creio que todas as pessoas façam indagações nesse sentido, talvez fazê-las seja ser velho, afinal o novo não quer saber muito de parar pra pensar(na grande maioria das vezes), refletir então se tornou meio obsoleto. Eu não sei, talvez seja muito pessimista da minha parte, mas eu me pergunto onde é que toda essa "novidade" vai nos levar, pra onde é que essa era do novo, do tecnológico, do speed, vai nos guiar. Até agora tenho visto nos levar para um lugar não muito bom, um lugar onde o sentimento fica pra escanteio, onde tudo o que digo agora parece brega, sem sentido, sem graça. Mas minha alma velha insiste em ainda se apegar à esses pensamentos.

De repente me transporto pra uma praça, pessoas conversam riem e choram, são felizes, pode parecer imprecionante mas elas não morreram sem a internet, sem a TV, pode ser até mesmo que viveram mais. Naquele lugar uma pessoa nunca teria morrido porque esqueceu de comer em frente a tela de um computador, nunca teria se matado de trabalhar pra comprar o carro do momento, o bum dos computadores. Computadores não matam, eu acho, mas porque nós temos morrido? Porque não ensinamos as máquinas como queremos viver nossas vidas, ao invés de deixar que elas ditem a forma com que devemos viver?

Afinal o que é velho, o que é novo? Sentir é velho, o agora é novo, o pensar é velho, o agir é novo. Novo.. Velho.. Disso é feito a vida, disso somos feitos, e é isso que fazemos, qualificar as coisas é humano, nos qualificar, ainda mais, e é da mistura do que fomos, do que somos e do que seremos que nos encontramos por aí, que vivemos. VIDA, eis aí o centro de tudo, não deixar de pensar naquEle que nos deu a vida nos faz mais humanos, nos faz lembrar daquilo que fica no final, quando o imaterial será tudo que temos e tudo que teremos.

domingo, 28 de novembro de 2010

Se correr o bicho pega, se ficar, o bicho some




Quem não conhece esse ditado popular, só que da maneira errada como costumamos usá-lo. Achei bem apropriado usá-lo para falar um pouco da atual situação do Rio. Mas uma vez vemos o Rio em guerra, mas dessa vez em uma escala maior, talvez a maior de todos os tempos. Tenho acompanhado com apreensão tudo isso, mas não posso dizer que completamente espantada porque era de se esperar, por N motivos. Vamos há alguns deles: As pacificações nos morros obviamente e com isso a perca do território dos traficantes, principalmente. Os acontecimentos importantes como olimpíadas, copa, que vão deixar o Rio em evidência, e mostrar poder assim fica bem mais fácil também, dois coelhos em uma cajadada só, mostram a que veio, "ridicularizando" o país e apavorando a população.

Mas isso nós já bem sabemos, voltemos ao tema desse post. Vendo uma das muitas reportagens sobre esse fato na TV eu vi algo que me chamou a atenção, o depoimento de uma moradora do Rio que se destacou de todos os outros. Ela disse que a fala dela pareceria estranha mas ela se sentia aliviada, porque pela primeira vez ela via algo acontecendo, a polícia se mobilizando de verdade. Intrigante não é mesmo? Alívio nesse momento. Mas ela está certa, o enfrentamento é melhor que a recua, sempre. Enquanto fugimos do problema ele só aumenta, quando enfrentamos ele some, afinal não se ganha uma guerra sem travar batalhas.

Por isso sinto que o Rio está sim no caminho certo, enfrentando de verdade essa situação. É claro que seria melhor sem que precisasse haver tanto derramamento de sangue, mas infelizmente é a dura realidade de uma guerra, e ou morrem os bandidos, ou os inocentes. Infelizmente como em todas as guerras vai ter muito choro, como já teve, mães perdendo seus filhos, filhos seus pais. É.. bandidos também tem família, mãe, pais, filhos, não podemos desconsiderar isso. Mas infelizmente quem entra nessa vida sabe que ela não tem final feliz.

Torcemos para que tudo fique bem no nosso belo Rio de janeiro, que a paz reine daquele lugar, dentro do possível, e que esse "bicho" continue sendo enfrentado de frente, não só com armas, mas com livros, educação, cultura e amor.

Achei muito boa essa foto de João Monteiro, que foi premiada inclusive no site olhares para ilustrar esse post. Essa foto foi tirada em Luanda, mas temos em comum a ela e a todos os lugares, esses sonhos de crianças, de tornar um novo Fenômeno, de crescer e ser feliz, de viver. No Rio não é diferente.

sábado, 13 de novembro de 2010

Sobre o particular..



A internet e todos os recursos midiatícos e tecnológicos que conhecemos trouxeram muitas vantagens como sabemos, o contato cada vez mais rápido e interativo, a qualidade na imagem, no som, entre tantas outras coisas. Mas temos as desvantagens também é bem verdade, maquinizados que ficamos transformando coisas simples em espetáculo. Os primeiros passos de um bebê, de nossas criações, nossas decepções, até mesmo momentos extremamente íntimos que ninguém mais além de nós deveria saber. Eu mesma já contei tantas coisas da minha vida aqui, e tudo bem até uma certa medida.

Mas eu falo de coisas que realmente são únicas e são nossas, eu falo de perder a medida entre o particular e o público, não sei se seria a melhor palavra, mas a ideia é essa. Se tudo é universal, meus gatinhos brincando, um bebê nascendo, alguém chorando, morrendo e ao mesmo tempo é particular também, então qual é a medida disso?

Eu não sei se sou eu mesmo que penso demais, complico demais ou o que mas eu me cobro por exemplo quando me vejo querendo compartilhar um monte de coisas manais. Ex: Novamente os gatinhos. rs Estou com 3 filhotes em casa, eram quatro, um já ganhou uma nova casa. Vejo-os brincando, fazendo suas artes, seus rostinhos lindos e tiro um monte de fotos, coloco no orkut, no celular, onde posso, fico querendo filmar a toda hora, mas nem tenho nenhum recurso muito bom pra isso. Mas o fato é que me policio quando vem a ideia de que tenho que mostrar o que acho bonitinho, fofo. Não tenho! Algumas coisas são só para serem admiradas mesmo, momentos pra guardar na memória e pronto. São meus e só. Será que estou complicando demais as coisas?rs

O que quero dizer é que muitas vezes deixamos de curtir alguns momentos integralmente só pensando em o que fulano ou siclano vão pensar quando virem, em quantos acessos no youtube vão ter, quantos comentários no orkut, e pra que? Só penso que talvez estejamos artificializando um pouco demais a vida, virtualizando demais e abrindo mão de pequenas coisas que nos fazem felizes e pronto. Acho que tenho batido muito nessa tecla ultimamente né? Mas é fato que isso tem me incomodado, e tudo que estou escrevendo tenham certeza, escrevo pra mim mesma também.

Continuemos a compartilhar as coisas boas da vida sim, porque não?! Só tentemos não extrapolar muito, perder a medida do particular. Afinal são essas as melhores coisas da vida, as que não se pode descrever nem com mil palavras, nem mostrar, porque só significam algo pra você mesmo, e é isso que importa.

sábado, 6 de novembro de 2010

Democracia


Foto de Manuel Madeira - Olhares.com


Esse é o tema do artigo que tenho que fazer pra sociologia e estou com certa dificuldade de começar. Tenho algumas ideias a esse respeito talvez polêmicas não sei, mas é o que penso. Por exemplo, se democracia é o poder de escolha na mão do povo porque esse poder ainda não nos é completo? Deixe-me explicar. Ok eu posso votar e escolher quem eu quero, mas aí é que tá eu não posso, eu sou obrigada a votar. Se democracia implica em liberdade então eu só deveria votar se quisesse, acho que assim sim poderia dizer que esse poder é meu. Nos Estados Unidos é assim, creio que em outros lugares também. Aí alguns falam, "ah mas eles já sabem lidar melhor com isso". E eu pergunto, quando é que um povo pode aprender a lidar com uma coisa sem exercitá-la? Temos que aprender a lidar com o poder que temos, inclusive o poder de poder escolher votar ou não.

Essas eleições nos mostraram coisas curiosas, boas e ruins. Marina com uma votação bastante expressiva em sua primeira tentativa ao cargo de presidente, Tirica eleito, uma abstenção bastante grande de voto. Mas pensemos em Tiririca por hora. Será que ele teria sido eleito se as pessoas não fossem obrigadas a votar? Teria sido um voto de protesto? Bastante alienado é bem verdade já que as consequências foram sequer avaliadas. Mas eu fico pensando nisso, em quanta gente vota por votar, só porque é obrigado, e como as coisas poderiam ser diferentes se cada um pudesse escolher votar ou não. Tem tanta gente(a maioria das pessoas por sinal), que nunca acompanha política, tá se lixando pra isso e depois vai lá e vota só pra cumprir um rito obrigatório. Eu não sei mas creio que se pudéssemos escolher votariam apenas quem tem o mínimo de respeito e consciência sobre política.

Bom mas isso aqui é Brasil e por enquanto é assim que é né? Agora Dilma foi eleita e como a querida Marina disse, agora ela é nossa presidente gostemos ou não. Temos então que fiscaliza-la, exercer nosso direito pós eleições. Como diria aquela antiga canção, "até bem pouco tempo poderiamos mudar o mundo, quem roubou nossa coragem?" Ainda podemos, se quisermos. Então olho nela, e em todos os que elejemos ou não, o que importa é que esse é NOSSO país, e temos que usar dessa "democracia" para cuidar dele.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Mergulhe



Desculpem o sumiço pessoal, novamente. Para os poucos que ainda lêem o que escrevo obrigada pela paciência.rs Mas essa correria louca em que nos metemos as vezes dá nisso, a gente fica sem tempo pra fazer o que gosta, e estressado demais pra se lembrar delas. E é sobre isso que quero falar.

Tenho pensado(aliás coisa que faço demais), em como vamos passando pela vida e nos anestesiando muitas vezes para o que realmente importa e eu me pergunto se não é isso que gera tanta violência com as pessoas com a natureza. Nós passamos pelas coisas simplesmente por passar, vemos árvores nas ruas nas estradas, mas não enxergamos, tocamos, sentimos, e se não sentimos não nos pertence. "Porque preservar a natureza? E eu aí que a natureza? Que diferença faz? Ligo meu computador e vejo os lugares que quizer sem sair do lugar, coloco um bonito descanso de tela e pronto, é o mais natural que vivo."

Eu tenho uma ligação imensa com a natureza, é meu jeito pessoal de descarregar as energias e recarregar também, quando não estou bem penso logo em mato, água, e geralmente um bom mergulho ajuda bastante. Eu curto bastante essas coisas tomar banho de chuva, sentir o vento, ficar sozinha comigo mesma, só eu e Deus. Isso me leva a meditar, rever e sentir mais as coisas, quando não faço sinto falta. Mas pensa em quanta gente nunca teve contato e não sente a menor falta, tá acostumado a lidar só com máquina e maquiniza também todas as relações humanas?

O que uma coisa tem haver com a outra? Tudo. Como já disse é claro que não vou cuidar do que não sinto, consciência ambiental, que isso? Pra quem não tem o mínimo de contato com o ambiente em que vive. E gradativamente vai se perdendo o contato com o animal humano também, vai se perdendo a sensibilidade, não se enxerga mais o outro, pra quem mal se enxerga não dá pra pedir muito mesmo.

Por isso tente não se contentar com a superfície, por mais que seja difícil tente olhar pra dentro pra conseguir olhar pra fora, tente olhar mais paro o natural, para a vida. Eu sei como as vezes as coisas parecem escuras e sem solução, sei muito bem, mas elas sempre podem ficar melhores quando as enfrentamos com a alma mais aberta, despoluída nessa confusão diária do mundo. Por isso faça o que fizer não fique na superfície, mergulhe, mergulhe nos sentimentos, no contato, até mesmo na dor, faz parte então é melhor viver, ir até o fundo dela e voltar mais forte. Vamos lá, vamos mudar o mundo começando por nós. Mergulhe.