quinta-feira, 12 de novembro de 2009

O "cheiro" das coisas


Foto by eu mesma..rs

Estou aqui curtindo uma nostalgia que nem é minha. Como assim? Vou explicar. Estou ouvindo Roberto Luna, acredito que poucas pessoas da minha/nossa geração conheçam. Ele é um cantor de bolero. Bom, como disse não é da minha geração e eu nem sabia que existia, até o último domingo. É que neste último domingo fui em Divinópolis fazer a prova do Enade, sim aquela que de que eu falei aqui no blog já, a que foi atrapalhada pela parada gay. Pois bem, no fim da prova eu passei na casa do meu tio/avô que mora lá e minha tia. Enfim, conversamos um pouco, ele tava meio angustiado, como tem ficado sempre ultimamente e me parece que ainda mais depois que meu avô, irmão dele morreu. No meio da conversa ele começou a mostrar uns discos e mostrou uma música do Roberto Luna, disse que um dos filhos tinha feito uma seleção e dado pra ele mas que ele só tinha uma música dele "Que murmurem", que não encontrava mais e tal. Aí eu me ofereci para procurar as tais músicas para ele, e nem foi difícil, o problema mesmo é que ele não sabe mexer em internet aí não tinha como encontrar.

Mas a questão é que eu estou aqui agora, ouvindo esse "tal" Roberto Luna. Não é meu estilo favorito, devo confessar, mas ele canta muito bem. E ouvindo ele eu comecei a pensar muito nesse meu tio, no porque dele estar tão triste. Quando eles envelhecem o que resta são as lembranças, não devia ser assim, mas é, tudo lembra alguma coisa. Aqueles tempos de moças na janela, homens dando volta do jardim cortejando essas moças e elas tímidas olhando com o canto de olho. Depois o casamento, os filhos pequenos, os planos, sonhos. E aí começam a pensar, se fizeram tudo o que queriam, se poderiam ter sido mais felizes, enfim se a vida valeu a pena. E mesmo que ela tenha valido ainda resta essa nostalgia, essa saudade sabe-se lá de que ou de onde. Como sei disso? É eu nunca fui velha, mas convivi com dois idosos minha vida inteira praticamente e conversava muito com meu avô, no fim da vida era nisso tudo que ele pensava.

É estranho, mas esse tipo de música o ritmo sei lá, me lembra alguma coisa também que eu não consigo identificar muito bem, mas pelo que me lembro meu avô ouvia essas músicas quando eu ainda era pequena, é que depois ele ouvia mais clássico, chorinho e tal.

É interessante pensar em como nosso mente funciona né? Agora a pouco andando no corredor do meu trabalho eu senti "cheiro de infância". Sabe aqueles cheiros que você sente e não identifica mas que te levou em um segundo para um determinado momento da sua vida? Pois é, isso acontece as vezes comigo, na verdade com todo mundo, de uma forma ou de outra. É alguma coisa ligada a memória olfatal, acho que é isso(será que existe esse termo?). O fato é que sempre que isso acontece nos sentimos meio estranhos, nostalgicos mesmo, nos sentimos mais velhos do que realmente somos, porque esse lugar pra onde somos transportados algumas vezes parece tão distante, tão remoto. Nós meio que "tocamos" esse passado por um instante, ele nos envolve e nos leva a um lugar estranho que já foi nosso mas não nos pertence mais. Por mais que a gente queira não dá pra entrar em uma máquina do tempo e ir lá pra dar uma espiadinha, tentar entender porque determinados "cheiros" nos fazem ficar felizes ou tristes. Meio doido divagar sobre isso né? Mas fala se não é interessante?!

E claro não falo só de cheiros em relação a olfato, mas a visão, audição, enfim, todos os nossos sentidos "trabalham" em nos trazer lembranças. As músicas do Roberto Luna por exemplo tiveram "cheiro" de vô. Não só porque eu ando lembrando muito dele esses dias, mas porque ativaram minha lembrança mesmo. Aquela coisa meio "Déjà Vu". Sei que agora que encontrei essas músicas vou entregar pessoalmente ao meu tio/avô, vou pegar de vô emprestado um pouquinho.

Termino com os versos de um brilhante poeta que fala bem de tudo o que tentei falar, ele simplesmente fala tudo em poucas linhas. Lembrei dele enquanto escrevia.

" No fim tu hás de ver que as coisas mais leves são as únicas
que o vento não conseguiu levar:
um estribilho antigo,
um carinho no momento preciso,
o folhear de um livro de poemas,
o cheiro que tinha um dia o próprio vento..."

Mário Quintana

8 comentários:

  1. pensar em sensações estranhas, músicas diíspares n de nosso tempo, remete mesmo a outras paradas. viagens. Mas, sabe que viajei nessa embarcação sua e fui escutar mario lago, que meu avô amac va. uma sensação diferente mesmo1 beijão...louca e alucinada viagem... oque se pode dizer? rs

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  2. Adoro esses cheiros do passado também. Um cheiro, cheiro mesmo no sentido real da palavra que me leva à infância, é o do biscoito Passatempo..rs. Aquele gosto que mudou daquele tempo pro tempo atual. Era muito mais gostoso.. enfim, me leva à infância.
    Mas essa coisa da nostalgia de um tempo não vivido é bem estranho mesmo. Me pego algumas vezes ouvindo músicas dos anos 80 e sentindo saudades daquele tempo que eu nem sonhava existir. Uma saudade de algo desconhecido. Não tenho mesmo como explicar.. mas escrevi só pra contar..

    Marina, parabéns pelo texto. Brilhante! Fico encantado toda vez que leio coisas suas. São coisas suas mesmo. E que de alguma forma acabam se tornando coisas minhas, ou indo ao encontro de coisas minhas e dos seus outros leitores. Parabéns.
    Até a próxima.

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  3. Marina mais um texto sensacional, show, geniallllll...

    Beijos e bom fim de semana.
    Jeferson

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  4. Os cheiros da vida, comigo isso também acontece, mas no meu caso são imagens, muito nitidas até, vira e mecche me pego lembrando daquela época limpa e pura, onde tudo era possível. Doce lembrança.

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  5. A FLAGRÂNCIA DAS ESTAÇÕES E DAS MULHERES QUE ME ENVOLVEM, GERALMENTE ME MOTIVAM SEMPRE A ESCREVER!
    ADOREI O TEXTO , CONSEGUIU NA SIMPLICIDADE DAS PALAVRAS CONDUZIR UM BELO CONTO!
    BEIJOS E SUCESSO COM SEU BLOG!
    SEGUINDO!!
    PS.: SE GOSTA DE POESIAS, VAI GOSTAR DO MEU BLOG!

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  6. Texto verborrágico, usou palavras e frase ácidas, de composição intença...
    Envovimento notório que causa aspereza e incompreenção daqueles que não o entendem!
    Neste velho mundo ainda a coisas que não conhecemos... prova disso é a mente humana!

    Obrigado por comentar em meu Blog!

    SEGUINDO SEU BLOG!

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  7. Este comentário foi removido pelo autor.

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  8. Nossa... Seu texto me fez relembrar do gosto de uma fruta que comi quando era criança... Até hoje tenho gravado em minha memória o gosto daquela delícia. Pena que a memória fotográfica não prestou para arquivar a imagem daquilo. Hoje eu como tudo que é fruta que aparece pra ver se, de repente, volto a topar com aquela. Enfim, isso não vem ao caso. Foi apenas um complemento.

    Mas olha, Marina... Adorei o texto. Vou tentar baixar algum som do Roberto Luna agora mesmo. Afinal, Marina é cultura!

    Beijo!

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