domingo, 24 de abril de 2011

Palavras

                                                            Foto: Por mim. Marina Brito

Eu nem sei se tenho algo interessante pra dizer, eu só preciso escrever, encher espaços nessa página enquanto tento encher alguns dentro de mim. Cada pessoa age de uma maneira diferente em determinada situação e eu não sou diferente, mas em todas elas escrever sempre me ajuda. Dizem que o "papel" aceita tudo. Tudo... Tudo é tanta coisa, tudo pode ser nada, um vazio, a escuridão. 

Quando é que a escuridão é boa? Eu não sei. Mas sei que só enxergamos o claro por causa do escuro, só diferenciamos porque conhecemos e nos acalmamos em saber que ele não dura pra sempre, ele acaba, mas cedo ou mais tarde. Por mais longa que seja uma noite sabemos que sempre há um outro dia, sempre há o sol e seu calor, sempre haverá conforto depois da noite fria. Temos que crer nisso, em alguns momentos então, temos que nos agarrar a essa realidade com todas as nossas forças, principalmente quando o real parece já não ser. Quando nem as letras juntas parecem fazer qualquer sentido.

Quando isso acontece é bom saber que há um Deus que vê todas as coisas e que nos guarda na palma de sua mão, basta crer. Acho que já disse isso uma vez, mas uma cena que sempre vem a minha mente quando penso nisso é a de uma garotinha de pijama, bem encolhidinha e relaxada deitada sobre uma enorme mão, as mãos de seu Pai. Sem medo, sem dor, só a segurança de saber que aconteça o que acontecer, ela estará a salvo. Amém.

sábado, 2 de abril de 2011

Seja você

                                                            Fotos by me

Ontem foi um dia especial pra mim, 01 de Abril de 2011, meu 1º show da Pitty, uma cantora que admiro muito não só pela qualidade vocal mas pelo nível das letras e postura como pessoa. Não sou, nunca fui e nunca serei tiéte, nunca gostei dessas coisas, acho sem sentido. Quando olho pra qualquer artista no palco não vejo qualquer superioridade nisso, só alguém trabalhando com o que ama e encantando quem está a volta. E não é isso que fazemos no nosso dia-a-dia? Se você faz o que ama as pessoas irão notá-lo, isso aconteceu com ela, a diferença é que ela lida com os olofotes o tempo todo, a maioria de nós não. 

Sei que quando fazemos o que gostamos de fato, nos entregamos aquilo tocamos as pessoas com nossas vidas, pra mim isso acontece em relação a Pitty, as músicas dela sempre falam muito comigo e esse dia em especial não só o show, mas todo o resto falaram muito comigo. 

Acho que aprendi algumas coisas importantes como entender e respeitar um pouco mais as diferenças, ver como pessoas desconhecidas muitas vezes tem muito mais consideração e apresso por você do que muitos amigos íntimos. E ver que as diferenças não atrapalham em nada isso. Quando a Pitty cantou Máscara ela não cantou só uma música, ela cantou um hino. Vi aquelas pessoas cantando juntas como um grito de libertação, não é fácil ser quem somos, mas é muito mais difícil esconder isso, e aquelas pessoas, ao menos naquele momento, pareciam livres.



A atmosfera daquele lugar era indescritível acho que só estando lá pra entender, tirando o calor, a dificuldade de respirar, o empurra/empurra. Parece uma visão do inferno falando assim né?rs Mas mesmo com tudo isso a energia daquele lugar era muito boa, isso porque quando você faz uma coisa boa, em um nível tão bom como dizia, a tendência é atrair pessoas com essa mesma energia, e no geral era isso que se sentia.

Sei que valeu muito a pena estar lá, viver esse momento que além da boa música me trouxe muitas reflexões. 


sábado, 19 de março de 2011

A origem dos sonhos



Não sei porque mas as vezes a vida insiste em ser bastante cruel, ou talvez sei lá, seja o jeito de ensinar as cabeças duras e sonhadoras como funciona de verdade a realidade. Acho que a essa altura muita gente já deve ter visto aquele filme, "A origem", né? Pois então, acabo de descobrir que ele não é tão diferente da realidade sabe. 

As vezes insistimos em viver no mundo dos sonhos, a construir castelos de areias, sonhar com príncipes encantados, é tudo muito bom porque no sonho a gente pode ser o que quiser, pode fazer o que bem entender, sem dores, sem traumas, só a doce canção de fundo, aquela que sempre toca nos finais felizes de filme. Só que um dia a gente acaba cansando porque acaba não sendo tão emocionante como se previa, então resolvemos viver a vida real. Finalmente todas as alegrias, as tristezas, tombos e tudo mais que ela trás, e então descobrimos que viver a realidade é bem melhor que qualquer sonho e a gente se sente feliz, como nunca. Mas não é o fim porque ops... Era sonho de novo. Ou será que não? Tem horas que é difícil saber.  

É especialmente difícil porque na maioria das vezes só enxergamos aquilo que queremos enxergar, é tão melhor acariciar a fantasia, um relacionamento que acabou, um trabalho que já não funciona, a gente vai fingindo até onde conseguimos, vamos aguentando as pontas e adiando a vida em nome dos sonhos que não queremos desfazer. Mas um dia é preciso crescer né? Quem disse que viver é fácil? Mas vamos lá, ainda é melhor que sonhar. 

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Vida x Jogo


Eu não sei se só eu faço isso, acredito que não, mas minha mente inquieta não sossega nem em momentos de lazer como quando estou jogando, aliás coisa que gosto bastante de fazer, ainda mais agora que descobri que posso jogar os jogos de quando era criança no PC, tipo Donkey  Kong, Mário e tantos outros. Mas como dizia essa minha mente não sossega nem nessas horas e eu começo a refletir sobre algumas coisas bem parecidas no mundo real em relação aos jogos. Vamos a alguns exemplos:

Fases

A vida é cheia de fases, como nos jogos, tem algumas chatas que você não consegue "passar" de jeito nenhum, mas você sabe que precisa senão jamais alcançará seu objetivo. Nessas horas muitas vezes é preciso respirar fundo, dar um tempo daquela determinada "fase" e tentar de novo. Assim como na vida, quantos problemas não nos enlouquecem algumas vezes e se você tenta resolver enquanto está nervoso não dá nada certo, mas se você esfria a cabeça e pensa em novas alternativas a coisa acaba se resolvendo.

Morrer não é ruim

Minha professora de filosofia falou isso uma vez e me assustei à princípio, pensei "como assim? do que é que ela está falando?" Então ela explicou que morremos várias vezes nas nossas vidas, a cada etapa que ultrapassamos, que vencemos, a cada perda, a cada mudança, mesmo os sofrimentos nos fazem morrer um pouco, mas o bom é que não ficamos mortos. Todas essas transições em nossas vidas nos fazem crescer, aprender algo e seguir, isso se chama experiência. Assim como nos jogos, depois que você já passou por uma fase mesmo que dê game over e você tem que começar de novo você passa bem mais rápido, afinal você aprendeu como se faz.

As dificuldades aumentam a cada fase

Não é engraçado como a gente quer crescer rápido quando se é criança e vive querendo voltar a ser criança quando se cresce. Pois é assim como nos jogos também cada fase da vida trás novos desafios, as dificuldades aumentam, até porque os anos começam a nos pesar e percebemos que não podemos ser mais inconsequentes como quando éramos crianças, a vida não é tão simples quando você tem 20 ou 30 como era quando você tinha 8. Mas é assim que a vida é, e que bom senão não teria a menor graça e nunca aprenderíamos e nem viveríamos as delícias de cada fase, de cada estação.

E no final vamos ganhar, perder, sorrir, chorar, mas o mais importante é que vamos viver. Por isso temos que ir fundo nessa grande aventura, vamos perder algumas coisas pelo caminho mas tudo bem, sempre se pode começar de novo.    

sábado, 29 de janeiro de 2011

Eu que não sei nada sobre o mar...

                                                                             Foto: Nelson Afonso - Olhares.com

Eu que não sei nada sobre o mar, já mergulhei fundo em um grande amor
E mesmo nunca tendo provado de sua água salgada já salguei meu rosto com muitas lágrimas, muitas vezes
E nunca tendo desafiado sua fúria, suas altas ondas já vivi muitas tempestades no meu "alto mar"
E mesmo sem poder parar a sua frente e admirar sua imensidão
Já me perdi na imensidão dos meus sonhos

E quase morri afogada em ondas de sentimentos intensos e confusos
Esperei pelo meu príncipe, cai do cavalo
E mesmo assim continuei sonhando e esperando

E quando tudo parece difícil é só subir no meu barco e deixar que ele me leve
Sem âncora, sem destino, só fé
Porque chegue ele onde chegar eu sei que meu Comandante estará lá

Eu que não sei nada sobre o mar, fiz um mar dentro de mim
Um mar particular onde posso mergulhar sem medo quando quiser

Eu que não sei nada sobre o mar
Ao menos tento descobrir um pouco sobre mim

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

A vida em pause

                                           Foto: Antônio Manoel Pinto Olhares.com

É, a vida sempre segue seu curso, querendo nós ou não, porque esses cursos nem sempre nos levam pra onde desejamos, mas pra onde precisam ir, onde pra onde acabam indo por erros que cometemos.

No meu momento atual não é esse o caso, uma situação nada agradável surgiu uma doença que trás no nome aquilo que nunca queremos ouvir, uma doença de sobrenome maligno. Só isso já parece assustador, mesmo que hoje em dia nem seja mais como antes, pra quem vive sempre é. Não, felizmente não é comigo, mas se pudesse ajudaria essa pessoa a passar por isso, dividiria a doença até. Mas não dá, só dá pra dar todo o amor que se tem, e compartilhar a dor.

E a vida vai seguindo, meu em pause, mesmo que tudo continue se movendo em volta, no coração tudo fica em câmera lenta, passa devagar a espera das próximas cenas, do fim de um filme ruim, pelo menos enquanto se está dentro dele é assim que ele parece. 

Nessas horas não adianta culpar ninguém, muito menos á Deus. Mesmo que a vida pareça ter parado ela não parou, continua, e é preciso ter fé para se continuar de pé. 

A gente sempre pensa que pode acontecer com todos, mas com a gente não né? Mas porque não? Não somos melhores, intocáveis, a vida é assim, esse vai e vem de mudanças, de acontecimentos bons e ruins, mas o bom é saber que tudo passa e que no fim de tudo nosso Pai estará lá dos amparando, aconteça o que acontecer.

Hoje eu não tentei ser criativa, nem inteligente, não posso dar mais do que tenho agora. Só quis abrir meu coração no mesmo lugar que já fiz outras vezes. E bom, eu espero voltar pra dizer que ficou tudo bem, mesmo que o bem que eu imagino não aconteça, "andar  com fé eu vou que a fé não costuma faiar". 

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Minha alma velha..


Foto Marta Almeida Olhares.com


Ouvi tantas vezes nos últimos dias que parecia uma velha que comecei a me perguntar se haveria algum sentido nisso. Será que eu sou velha em algum aspecto que não sei? Quando é mesmo que nossa geração começou a se sentir velha, ou antes, quando começaram a nos ver assim?

Não creio que todas as pessoas façam indagações nesse sentido, talvez fazê-las seja ser velho, afinal o novo não quer saber muito de parar pra pensar(na grande maioria das vezes), refletir então se tornou meio obsoleto. Eu não sei, talvez seja muito pessimista da minha parte, mas eu me pergunto onde é que toda essa "novidade" vai nos levar, pra onde é que essa era do novo, do tecnológico, do speed, vai nos guiar. Até agora tenho visto nos levar para um lugar não muito bom, um lugar onde o sentimento fica pra escanteio, onde tudo o que digo agora parece brega, sem sentido, sem graça. Mas minha alma velha insiste em ainda se apegar à esses pensamentos.

De repente me transporto pra uma praça, pessoas conversam riem e choram, são felizes, pode parecer imprecionante mas elas não morreram sem a internet, sem a TV, pode ser até mesmo que viveram mais. Naquele lugar uma pessoa nunca teria morrido porque esqueceu de comer em frente a tela de um computador, nunca teria se matado de trabalhar pra comprar o carro do momento, o bum dos computadores. Computadores não matam, eu acho, mas porque nós temos morrido? Porque não ensinamos as máquinas como queremos viver nossas vidas, ao invés de deixar que elas ditem a forma com que devemos viver?

Afinal o que é velho, o que é novo? Sentir é velho, o agora é novo, o pensar é velho, o agir é novo. Novo.. Velho.. Disso é feito a vida, disso somos feitos, e é isso que fazemos, qualificar as coisas é humano, nos qualificar, ainda mais, e é da mistura do que fomos, do que somos e do que seremos que nos encontramos por aí, que vivemos. VIDA, eis aí o centro de tudo, não deixar de pensar naquEle que nos deu a vida nos faz mais humanos, nos faz lembrar daquilo que fica no final, quando o imaterial será tudo que temos e tudo que teremos.