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sexta-feira, 13 de abril de 2012

Quando o amor se vai...


Nem sempre o amor acaba, as vezes ele só se vai, por um motivo ou por outro ele se vai, porque simplesmente precisa, não há como conter, é como uma correnteza que tem que seguir seu rumo, seu curso. Existem vários motivos, sabemos em nosso coração, as vezes é uma coisa realmente importante, as vezes banal, não importa o motivo, quando o rio tem que seguir, ele segue.

Sabe o que mais dói quando o amor se vai, as promessas desfeitas. Não importa o quão real tenha sido, nós olhamos pra trás e parece que não foi. O que não entendemos tão facilmente é que existem muitas maneiras de dizer eu te amo, uma dessas formas são as promessas. Promessas de amor significam "te amo o bastante pra fazer planos, pra imaginar uma vida com você." Infelizmente nem sempre elas podem ser cumpridas, o que não significa que não foram reais, só não puderam ser, acontecer.

Costuma se dizer que enquanto fazemos planos Deus ri, não por ironia ou crueldade, mas porque Ele enxerga além daquilo que podemos ver, sabe o que é melhor para nós, e se estamos nas mãos dEle, confiando de verdade em sua vontade, aconteça o que acontecer, esse plano vai se cumprir. O problema é que, na maioria das vezes, queremos fazer as coisas do nosso jeito, Ele nos dá as opções: - com dor - sem dor. Adivinha o que escolhemos? Cabeça dura que somos escolhemos sempre o caminho mais difícil.

No momento tento repetir a cena de um filme que gosto muito chamado Manual do Amor, quando no final do filme um homem se solta no mar, como alguém que lança todos os seus problemas ali e simplesmente deixa que as ondas o levem, para onde quiserem. Me lancei no mar de Deus confiando que essas águas lavarão meu coração e daqueles que de alguma forma fiz sofrer. 

E no final, mesmo que o amor se vá, o que vale é que um dia ele veio.


quinta-feira, 6 de outubro de 2011

A pessoa certa




Eis uma coisa difícil de saber. Quem é a pessoa certa para nossos corações, aquele(a) que nos fará felizes com quem vamos querer envelhecer juntos, criar filhos, fazer planos. Andei pensando sobre isso e sobre o que observo nesse sentido.

Pra começar a pessoa ideal nem sempre parece com o que idealizamos, com aquilo que acreditamos ser melhor pra nós, isso porque Deus é muito sábio e se tivéssemos sempre o que esperamos ia ser um tanto monótono porque na maioria das vezes namoraríamos e casaríamos com espelhos, olha que tédio.

Sigo listando algumas coisas que costumamos, ou que alguns costumam procurar nos outros, falo na minha perspectiva de mulher, claro, mas isso serve para ambos os sexos ok?!

Pra começar percebo que muitas mulheres não buscam por homens mas por "touros reprodutores", não no sentido literal, á princípio, mas por aquele cara que tem pegada, o tal "bruto, rústico e sistemático", que em as satisfaz como mulher, mesmo que só sirva pra isso, um diálogo mais profundo e tudo vai abaixo. A grande questão é, será que esse cara com a super pegada, vai ter tato pra colocar sua filha(o) no colo e acalentar quanto ele chorar por algo que ele disse e o magoou? Será que ele será fiél apesar de todas as adversidades a você e sua família. Pegada ele pode aprender com o tempo, algumas coisas não, está em um lugar especial, armazenado em cada um de nós, uns tem, outros não. Ou você pode dar a sorte de encontrar essas duas coisas em uma pessoa só(falo da pegada, a parte do bruto rústico, eu pelo menos, dispenso), ótimo, você é privilegiada, mas se não prefira todo o resto que nisso da-se um jeito.

Há uma outra coisa que as mulheres costumam procurar, mulheres e homens, uma coisa que nada mais é do que aparência, e geralmente não diz muita coisa. Um rostinho e um corpinho bonito. Ok, sinta-se feliz se você tem isso e conteúdo, e todos os itens citados acima, mas se você tem só isso, músculos, um tanquinho, e um belo rostinho, eu sinto pena de você, porque músculos  não vão te amparar quando você estiver triste e fazê-la acreditar que tudo vai dar certo. O belo rostinho além de não durar pra sempre não vai acordar nas noites frias pra cuidar de você quando adoecer e continuar lá quando o barco afundar. Como disse se tem isso tudo, beleza e caráter, companheirismo em um mesmo pacote, congratulations, caso contrário escolha o "pacote" certo. ;)

Há ainda aquelas pessoas que surpreendentemente ignoram todas as coisas que escolhem alguém através do seu estrato bancário. Uau, isso é complicado. Complicado porque esse dinheiro não vai ajudar vocês a passarem por aquelas crises, sim aquelas que geralmente podem acabar com um casamento se não houver AMOR de verdade, compreensão e respeito. O que o falta dele pode fazer? Seu namorado, cônjuge, pular a primeira cerca um pouquinho convidativa que vir pela frente. Temo que o dinheiro não ajude nessa hora. E novamente repito, tudo bem o dinheiro também contanto que ele não seja a base.

Mas no final podemos dizer que boa parte da culpa pelos nossos delírios infantis de encontrar tudo junto em uma pessoa só, o rosto perfeito, a pessoa perfeita e tudo mais é da grande máquina televisiva e do cinema. Conte nos dedos quantas vezes você viu em filmes casais menos que perfeitos, feios para os padrões que ela mesma impõe. É raro, muito raro. Mas nós sabemos que na vida real não é assim, se não sabe fique sabendo, mas tem uma coisa, na vida real é muuuito melhor.

Bom acho que basicamente é isso que vem a minha mente inquieta nesse momento, tem mais um monte de outras coisas mas vamos conversando, pra não abandonar de novo esse espaço que me salva tanto em momentos difíceis. Como o amor. É sempre bom olhar para o lado e ver que não se está sozinho.     

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Mergulhe



Desculpem o sumiço pessoal, novamente. Para os poucos que ainda lêem o que escrevo obrigada pela paciência.rs Mas essa correria louca em que nos metemos as vezes dá nisso, a gente fica sem tempo pra fazer o que gosta, e estressado demais pra se lembrar delas. E é sobre isso que quero falar.

Tenho pensado(aliás coisa que faço demais), em como vamos passando pela vida e nos anestesiando muitas vezes para o que realmente importa e eu me pergunto se não é isso que gera tanta violência com as pessoas com a natureza. Nós passamos pelas coisas simplesmente por passar, vemos árvores nas ruas nas estradas, mas não enxergamos, tocamos, sentimos, e se não sentimos não nos pertence. "Porque preservar a natureza? E eu aí que a natureza? Que diferença faz? Ligo meu computador e vejo os lugares que quizer sem sair do lugar, coloco um bonito descanso de tela e pronto, é o mais natural que vivo."

Eu tenho uma ligação imensa com a natureza, é meu jeito pessoal de descarregar as energias e recarregar também, quando não estou bem penso logo em mato, água, e geralmente um bom mergulho ajuda bastante. Eu curto bastante essas coisas tomar banho de chuva, sentir o vento, ficar sozinha comigo mesma, só eu e Deus. Isso me leva a meditar, rever e sentir mais as coisas, quando não faço sinto falta. Mas pensa em quanta gente nunca teve contato e não sente a menor falta, tá acostumado a lidar só com máquina e maquiniza também todas as relações humanas?

O que uma coisa tem haver com a outra? Tudo. Como já disse é claro que não vou cuidar do que não sinto, consciência ambiental, que isso? Pra quem não tem o mínimo de contato com o ambiente em que vive. E gradativamente vai se perdendo o contato com o animal humano também, vai se perdendo a sensibilidade, não se enxerga mais o outro, pra quem mal se enxerga não dá pra pedir muito mesmo.

Por isso tente não se contentar com a superfície, por mais que seja difícil tente olhar pra dentro pra conseguir olhar pra fora, tente olhar mais paro o natural, para a vida. Eu sei como as vezes as coisas parecem escuras e sem solução, sei muito bem, mas elas sempre podem ficar melhores quando as enfrentamos com a alma mais aberta, despoluída nessa confusão diária do mundo. Por isso faça o que fizer não fique na superfície, mergulhe, mergulhe nos sentimentos, no contato, até mesmo na dor, faz parte então é melhor viver, ir até o fundo dela e voltar mais forte. Vamos lá, vamos mudar o mundo começando por nós. Mergulhe.

sábado, 17 de julho de 2010

Mais coisas sobre o tempo...



Os últimos dias tem sido de extrema reflexão pra mim, não me planejei pra isso, estou de férias, mas essas coisas não se planeja mesmo e não dá pra tirar férias de si mesmo. É bem verdade que dá vontade, mas não dá, pra onde quer que vamos levamos na nossa bagagem nossos medos, anseios, mágoas, fantasmas, tudo aquilo que superamos e que julgavamos ter superado, tudo aquilo nos faz, que nos molta e nos leva a ser quem somos. Nos últimos dias um sentimento me envolveu de uma forma repentina, a culpa. Culpa sei lá de que e sei lá de onde, culpa de não ter feito mais quando deveria, de não ter corrido atrás, de ter tido medo ou sei lá o que. Como disse uma culpa meio sem sentido.

Pensemos. Quando deixamos de fazer algo, quando sentimos medo, não nos sentimos prontos ou seja qual for o motivo, nós o fazemos porque queremos? Creio que não, fazemos, na maioria das vezes, porque não conseguimos, naquele momento, fazer de outra forma. Somos de carne e osso, tudo o que acontece nas nossas vidas nos afeta de certa forma, desde a nossa infância até a vida adulta, cada um aceita as coisas de uma forma. Algumas pessoas tem uma força incrível e uma facilidade imensa de superar situações difíceis, outras não, simplesmente porque ninguém tem uma história igual a do outro. Por isso como já disse algumas vezes, não gosto de comparações porque simplesmente não vejo sentido nelas.

Mas como dizia, as vezes temos esses sentimentos completamente humanos, de culpa, por não termos conseguido ser diferentes como gostariamos ou deveriamos. Mas a verdade é que tudo tem seu tempo, cada um tem um reloginho interior e as coisas acontecem no seu momento, se esse reloginho estiver em primeiro lugar apontado para Deus a chance dessas coisas darem certo é obviamente muito maior. Mas o fato é que temos que respeitar esse nosso tempo e saber que existe uma coisa chamada maturidade, não dá pra ter reações de adulto quando se é criança, por isso se algumas coisas fogem ao nosso controle em alguns momentos é porque nós simplesmente não estavamos prontos pra elas e pronto. Se o "adulto" da vez não pode fazer tão pouco uma criança poderia, e talvez esse "adulto" também não tenha conseguido crescer na hora certa.

Conclusão? Sei lá, isso depende de cada um, só sei que a culpa é um sentimento que nos leva de lugar nenhum a lugar algum. O perdão sim, esse modifica todas as coisas ao nosso redor, e nos faz caminhar, seguir em frente. Por isso antes de qualquer coisa é preciso se perdoar e tentar mudar sempre, porque ninguém nunca vai ser pronto e acabado, não aqui nesse mundo limitado. Que permaneça a essência e o que de melhor pudermos cultivar, que permaneça o amor.

terça-feira, 11 de maio de 2010

"Coisas do coração..."



"Apareceu a margarida" outra vez! Pois é, pra variar eu sumo não dou notícias, é assim mesmo, falta de tempo isso chama, hoje mesmo enquanto estou aqui escrevendo deveria estar escrevendo um artigo. Porque que não é fácil assim né? Anem. rs

Teria mil coisas pra falar, mas hoje especialmente quero falar de uma que aflige a homens e mulheres, talvez as mulheres mais do que aos homens, o coração. Não esse orgão que bombei o sangue para o corpo, não esse.rs Mas o sentimento, esse que nos faz voltar a adolescencia algumas vezes, ficar tontas, bobas, idiotas até. Pra quem já encontrou o amor da sua vida é só felicidade, para quem ainda espera por ele, como eu, só dificuldade.rs

A verdade é que não fomos meus criados para ficar sozinhos, isso é biblico, o tão famoso "não é bom que o homem esteja só", e ainda é "é melhor serem dois do que um, porque o cordão de 3 dobras não se pode romper". Sim, especialmente válido para os cristãos obviamente. Mas a verdade é que a maioria das pessoas prefere quebrar a cabeça que esperar em Deus. Acho que seria uma delas, eu seria com certeza se não fosse Cristo, e se não fosse por ter ouvido uma das explicações mais esclarecedoras da minha vida nesse sentido. Ouvi em um seminário chamado Veredas antigas, e nunca mais esqueci, eles disseram que, nosso coração é como uma folha de papel e quando nos ligamos a uma pessoa é como se colassemos nossa folha com cola a esse outro papel. O que acontece se colamos uma folha de papel a outra com cola? Ao tentarmos deslogar eles saem inteiros, ilesos? A resposta é não. E assim é com os nossos corações, cada relacionamento mal sucedido tira uma lasquinha desse nosso papel. E se vizermos isso muitas vezes durante as nossas vidas, imagina só o que vai acontecer? Quando a pessoa certa chegar vamos entregar para ela um coração em farrapos, cansado de sofrer, cansado das escolhas erradas que fez durante toda a vida.

Pessoa certa.. pessoa errada.. Tá aí uma questão que intriga a todos né? Como saber se ninguém vem com uma estrelinha na testa? Boa pergunta! A resposta só Deus pode dar, se colocamos não só isso, mas todas as coisas nas mãos dEle, Ele dirá, Ele mostrará isso de alguma forma, que você saberá. Não é nenhuma fórmula, "receitinha de bolo", Deus age com cada um individualmente, o que vale pra mim como um sinal, uma confirmação talvez não valha pra você e por aí vai.

Tudo o que eu sei é que por mais que essa espera seja difícil é melhor confiar, se entregar nas mãos de Deus e esperar a vontade dEle, mesmo que essa não seja uma tarefa nada, nada fácil. Além dos desafios que enfrentamos como a solidão algumas vezes, a vontade de atropelar tudo e fazer no nosso jeito, porque esperar não é nada fácil. Enfim, além de tudo isso tem o olhar e julgamento das pessoas que desconhecem o significado de esperar em Deus. Na maioria das vezes essas pessoas lançam coisas do tipo: "Ah, mas você nunca vai namorar?" ou "Tem fulano e ciclano, vou "arrumar" ele pra você." Eu digo que se alguém vai tiver que arrumar algo pra mim não vai ser ninguém humano, essa escolha vai ter que ter nascido do coração de Deus, antes de qualquer coisa.

Mas o que quero dizer é que temos muitas provas de nosso Deus todos os dias que nos mostram que vale a pena confiar e esperar nele, não só nos assuntos do coração, como em todas as outras coisas, e Deus sabe quando estaremos prontos para receber cada uma delas. Por isso quem escolhe descansar nEle nunca perde tempo, só ganha, e esse é um ganho a longo prazo, um ganho para se comemorar ao longo da vida, porque quem espera em Deus nunca se arrepende.

Para todos aqueles que como eu ainda esperam pelo amor desejo força e fé. Não é uma caminhada fácil mas estejam certos de que valerá a pena, e temos que repetir isso para nós mesmos todos os dias, esperar em Deus é o melhor.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Organizando a "casa"


foto por adriane olhares.com

Já falei várias vezes nesse sentido, mas vamos lá acho que é sempre bom compartilhar aquilo que nos faz bem.

Esses últimos dias como tenho lhes contado foram dias difíceis, fiquei na corda bamba entre minha saúde e meu sonho. Foi levantada a hipótese de trancar a faculdade até que melhorasse mas eu não quis e graças a Deus, foi a escolha acertada, Ele tem me honrado e tenho melhorado a cada dia.

Ontem foi um dia muito especial pra mim. Sabe aqueles dias em que você não sabe porque mas se sente forte, com um ânimo novo? Pois é, essa é a ideia. Trabalhei, fui a uma reunião de trabalho em outra cidade e voltei pra casa, até aí nada demais. Mas quando cheguei em casa não tinha ninguém. Eu nem sei porque mas senti um alívio, eu precisava pensar um pouco, ficar só, só eu e Deus.

Assisti um pouco de TV e depois que acabou a novela e começou o "Big Bosta" eu desliguei e fui ouvir música. Coloquei o som um pouco mais alto e fui bordar uma gargantilha(sim porque eu e minha mãe vamos mexer com bijus agora, depois conto melhor). Enfim, coloquei o som mais alto, com boas músicas e fiquei bordando e pensando. Minha cadelinha tava inquieta na porta esperando minha mãe chegar, não vive sem ela. Mas notei que ela tava mais tristinha. Mas ela é uma ferinha, não deixa eu pegar no colo muito não, rosna que é uma coisa. Mas eu peguei ela e comecei a dançar com ela no colo, aconcheguei ela pensando na minha família. Ela ficou calminha e depois deitou na caminha e dormiu tranquila.

Pensa bem, se até um bichinho precisa de carinho imagina nós. Na minha casa sinto que estamos todas assim, carentes de afeto, de um carinho a mais. Estamos tão absorvidas em nossas vidas que falta o principal, o que indispensável. Tem gente que tem pouco dinheiro, uma vida daquelas, mas tem amor, carinho e aí consegue vencer tudo. Na minha família eu tive exemplo disso, meus tios venceram um perrengue daqueles porque ficaram unidos, o tempo todo, é claro que tiveram momentos difíceis, mas superaram e hoje estão bem.

Se pensarmos bem é disso que o mundo tá precisando, mais contato. Ficamos tão deslumbrandos com essas coisas todas, com todos esses aparatos desse "novo mundo" e esquecemos que o fundamental não pode ser perdido. Não tem tecnologia que substitua o carinho, não tem e-mail que substitua um abraço, (amenisa quando é a única opção), mas se puder prefira o abraço. Quantas guerras isso poderia poupar, um único e simples gesto.

Ah.. Tomara que vivamos o bastante pra aprender isso.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

O que posso dizer.. sobre meu avô


Faz tempo já que quero falar um pouquinho do meu avô, até porque eu devo muito do que sou a ele, das minhas conquistas nem tão grandes assim ainda, mas que estão sendo cuidadosamente plantadas. Nas muitas vezes que já pensei em desistir eu pense(entre outras pessoas), nele, no quanto ele ficaria orgulhoso se me visse agora.

É difícil saber por onde começar. Sabe aquela pessoa incrível que marca sua vida e a de todas a sua volta, pois é, é ele. Ele foi um pai, um amigo, um avô incrível. Tenho muitas coisas pra contar sobre ele, mas tem uma muito especial. Bom pra entenderem melhor vou contar um pouco da história dele, brevemente, prometo.

A família do meu avô era de uma família humilde, a mãe era costureira, o pai nunca ajudava em nada em casa, então quem mantia todas as espesas era a mãe. Ela começou a costurar pra fora cada vez mais para manter a família, que era bem grande, e além do marido não ajudar em nada ele a traía. Sei que no fim das contas ele teve um filho com uma das mulheres e minha bisavó ainda criou ele. Não preciso nem falar que meu avô nunca gostou desse pai né?

Pois bem vamos viajar para o futuro. Meu avô conseguiu vencer na vida, se tornou gerente do Banco Real. E isso porque ele estudou só até a antiga 4ª série, ele brincava que se tivésse estudado mais tinha sido dono do banco, eu não duvido. Bom, mas voltando ele estudou e o destino o trouxe aqui pra Cláudio onde conheceu a minha avó. Se apaixonaram e casaram. No dia do casamento deles aconteceu uma coisa incrível! Minha vó conta que quando o casamento acabou ele ficou lá, ajoelho no altar, sozinho e ela nunca entendeu porque. Muito tempo depois ela perguntou o que ele ficou fazendo. A resposta? Estava rezando, ele pediu a Deus para que se por acaso ele fosse trair a vovó e fazê-la infeliz como o seu pai tinha feito sua mãe, para que Deus tirasse a vida dele naquele momento. Fala se não é lindo?! E o resultado? Ele viveu pra fazer a vovó e a família feliz. Acolheu a mim e a minha mãe com nossas vidinhas conturbadas e todos sempre que precisaram.

Não vemos mais homens assim como antes, sim é claro que vemos, homens tementes a Deus, fiéis, sim, eles existem (e eu estou esperando o meu), mas são bem raros. Não vemos mais tanta abnegação, isso sim é amor de verdade. Abnegação das duas partes na verdade né? Minha avó também renunciou algumas coisas, foi uma troca, por exemplo deixou de trabalhar fora, que era uma coisa que ela queria. Meu avô saiu de Frutal, uma das cidades entre as tantas que moraram e onde nasci, e voltou para Cláudio por amor a minha avó. Ele tinha toda a vida dele lá, amigos, a casa deles e tudo que ele gostava tava lá. Ele costuma viajar muito com os amigos para pescar, sair pra bater papo mesmo, beber a famosa cervejinha que ele tanto gostava, enfim, ele tava em casa. Até que ele começou a perceber minha avó triste e perguntou o que ela queria, o que faltava pra ela ser feliz, e ela, disse que queria voltar para Cláudio, para junto da família. Preciso falar o que ele fez? Mais do que depressa organizou tudo, vendeu a casa por um preço bem inferior ao real(porque a casa era muito grande, muito boa), e votaram para Cláudio.

Com a pressa em mudar por causa da minha avó, como disse ele não calculou muito bem o valor da casa e por isso quando chegaram em Cláudio não conseguiu comprar uma casa como queria. O dinheiro foi acabando e eles nunca mais tiveram uma casa própria, mas pra ele tudo bem, a vovó tava feliz, os filhos criados, crescendo na vida, era tudo que ele queria. Só tinha uma coisa que ele queria muito e que não aconteceu.

Antes de sair de Frutal, uns anos antes na verdade ele foi demitido sem justa causa do banco e não recebeu nenhum dos seus direitos e se aposentou com a uma quantia bem inferior a que ele realmente tinha direito. Ele sonhou com isso a vida inteira, mas infelizmente nunca chegou a ver a cor desse dinheiro, o processo durou mais de 15 anos, pelas minhas contas quase 20 na verdade. Essa é a nossa justiça, nem a idade do meu avô fez com que acelerassem o processo.

Pouco tempo depois que ele morreu o dinheiro saiu. Na época que ele morreu eu não estava aqui em Cláudio. Morei a vida inteira com ele mas quando ele morreu eu estava a uns meses morando em Rio Preto/SP. Quase um ano depois eu voltei para Cláudio e acompanhem o fim do processo para conseguir o dinheiro que meu avô tinha direito, até ajudei no processo, dando uma prensa no advogado, coisa que jamais tinha me imaginado fazendo. Sério, eu dei a maior broca nele, basicamente o chamei de irreponsável. Não deu outra, depois desse dia ele ficou mansinho comigo e com minha mãe e aí foi pouco tempo para o dinheiro sair. Ele saiu, uma quantinha bem inferior do que o que meu avô tinha esperado e morreu esperando. Aquele dinheiro pra mim teve um gosto de féu, se eu fosse a única herdeira dele(só uma hipótese, mega remota), eu não ia querer nada dele, porque ele foi uma das razões da tristeza do meu avô nos seus últimos tempos de vida. Aliás foi um dos maiores culpados da sua tristeza durante metade de sua vida praticamente. Mas tudo bem, o dinheiro saiu para minha avó e tem nos valido, a ela e aos filhos quando precisam, e isso era tudo que meu avô queria, poder ajudar os filhos com essa dinheiro, também queria comprar uma casa, mas o dinheiro não chega nem perto de realizar esse sonho dele.

Enfim, eu poderia ficar aqui dizendo mil coisas sobre meu avô, mas o essencial eu já disse. Só posso completar que ele foi um homem incrível, e que mesmo que ele não possa ter deixado a herança financeira que ele tanto queria, o que ele deixou dinheiro nenhum no mundo paga. Ele nos deixou um exemplo de honestidade, respeito. Ele trabalhou uma vida inteira no banco e nunca fez nada de que pudésse se envergonhar, foi honesto, só recebeu aquilo que lhe era de direito. Ele podia ter ficado rico como alguns colegas, se fosse desonesto, felizmente ele nunca foi. Aprendeu com o pai a ser o avesso dele, a ser justo, fiél e do jeito dele, transbordar amor para todos os lados. Enfim, eu tive o melhor avô do mundo, tive nele o pai que não encontrei no meu, o mais sábio, mais leal. Ah... Deixa eu parar por aqui antes que desabe.

E essa é só uma pequena parte da história de Geraldo Magela de Oliveira Castro, o melhor homem que já conheci, e que eu vou amar eternamente.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Assim caminha a humanidade...



Ontem vi algo que prendeu minha atenção(e isso tem sido difícil ultimamente). Vi uma criança carregando outra( a irmãnsinha mais nova provavelmente). Era um menino com um olhar assustado que corria com a menina nos seus braços, sendo carregada de lado, toda desajetada, sem nada entender. Eram olhos marcados os daquele menino, que com tão pouca idade já parecia saber o que é sofrer. Onde eles estavam? Em uma favela em São Paulo, sim aquela favela de onde foram expulsas várias famílias.

As terras são de um empresário, sim, alguém que com certeza não morreria de fome se ficasse sem aquelas terras, ou pelo menos se esperasse mais um pouco. Aquela gente sim, depende ou dependia daquelas casas de madeirite. Para o empresário era só isso, casinhas de brinquedo que caiam quase que com um "sopro", para aquelas famílias era um lar, tudo o que eles tinham caindo ao chão em um segundo.

E eu fico me perguntando para que? Para que explusar aquelas pessoas como "cães" que batemos o pé quando queremos que saia de perto de nós(até deles eu tenho pena, quanto mais de pessoas). E aquelas crianças? Pobres crianças, expostas, ficando ao relento. Mas quem é que se importa? Não se pensa mais com o coração, mas com o bolso. No corre, corre em busca do dinheiro, ninguém parou para observar o olhar daquela criança, nos jornais só eu vi duas vezes, mas ninguém comentou, é só mais uma entre tantas. Ninguém parou para ouvir sua mãe chorando sozinha, baixinho, por ver seu filho sentindo fome, frio, ninguém viu essa mesma mãe deixando de comer para alimentar seus filhos. Ela morreria se pudésse para que eles não sofressem, ela faria qualquer coisa para impedir que uma lágrima rolasse dos seus pequenos rostinhos. Mas alguém acha que o "Sr. empresário" dono daquelas terras pensou nisso? Claro que não, ele se quer deve considerar a possibilidade de existir qualquer forma de vida naquele lugar, para ele são só coisas, obstáculos que ele vai tirando do caminho. Ele sequer considerou a possibilidade de conversar amigavelmente com eles(segundo o advogado dele essa conversa aconteceu, sinceramente meio difícil de acreditar), pensar em uma forma de ajudá-los isso com certeza não o faria falir, quem tem tantas terras com certeza não sabe o que é pobreza, se um dia soube, já esqueceu. Prá mim tal ser não é humano, não conhece Deus, e com certeza não sabe muito bem o significado de família.

Só para constar, eu sou contra quem faz coisas como invadir casas e terras como o MST, até porque tá todo mundo careca de saber que alguns vendem as terras que ganham e compram carros e mais um monte de coisa. E eu até acho que algumas pessoas devem ter feito coisas parecidas, tem gente boa e ruim em todo lugar, nesse caso não seria uma excessão. Mas a gente tá falando de famílias sabe?! Tem muita gente que realmente não tinha nada, era aquele lugar ou embaixo de uma ponte. Teve um idoso, cadeirante, que contou que queimaram tudo na casa dele, ele ficou só com a roupa do corpo. Isso prá mim não é desuhumano, sinto muito, não dá prá fingir que isso normal.

Eu não sei se é sonhar demais, mas eu juro que queria viver em um lugar onde essas coisas fossem consideradas, onde essas pessoas fossem vistas como iguais. Afinal de contas ricos ou pobres todos vamos para o mesmo lugar quando morrermos(fisicamente falando) depois cabe a Deus decidir, mas o dinheiro com certeza não vai valer mais nada nesse momento. Ah.. eu queria viver prá ver isso. Quem sabe...

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Tempo


Tempo...
Esse relógio da vida que passa sem trégua. Faceiro vai nos levando, nos tomando sem que nos demos conta dele.

Quando pequenos, mal o percemos, afinal há tanta vida e tão pouca pressa. Mas de repente, num piscar de olhos, já nos vemos adultos, até que finalmente, nos enchergamos velhos.


Acredito que não seja possível imaginar o quão difícil é ficar velho até chegar lá. Quando jovens temos tão pouca paciência com os velhos que um dia seremos. Mais sábio mesmo é observá-los e tentar compreendê-los, dar colo, acarinhar nosso futuro. Sim porque acredite você ou não na Bíblia ela diz uma coisa que é óbvia até, "o que semeias também ceifarás". E não é verdade? Se plantamos batata não podemos colher abacates. Dessa mesma maneira é com nossas vidas, se queremos ser bem tratados e cuidados quando chegarmos a velhice cuidemos também bem dos nossos "velhos" agora, assim nossos filhos terão bons exemplos e aprenderam desde cedo uma preciosa lição. Além de ser maravilhoso fazê-lo. É tão difícil parar para ouví-los, mas se o fizéssemos veríamos o quanto eles tem para nos dizer, para ensinar, e acabaríamos por entendê-los melhor, e julgar menos.


Ah.. Se pudéssemos entender o quanto é difícil acordar e ver que por mais que a mente deseje, o corpo já não obedece mais como antes, já faz suas manhas, tem seus caprichos. E nós perdemos a paciência quando eles insistem em continuar dirigindo, saindo sozinhos, arrumando a casa. Na verdade é difícil entender como muitas vezes mesmo lúcidos seus corpos já não são mais os mesmos, já estão debilitados, desgastados pelo tempo. Se pudéssemos por um minuto sentir o quanto isso é difícil para eles. É por isso que a paciência que muitas vezes é tão rara, é tão necessária nesses tempos, onde tudo que eles mais desejam e mais necessitam é de amor e compreensão. Afinal, com o tempo eles se tornam as crianças que um fomos, as crianças que eles embalaram, ampararam com todo amor. Eles nunca pediram nada em troca por esse amor, mas agora precisam dele, como terra seca. Até porque eles começam a se preparar para o momento mais solitário do ciclo da vida, o momento em que por mais que se esteja rodeados de pessoas elas nada podem fazer para aplacar essa solidão, a morte. No fim dessa jordada temos de seguir sozinhos, ninguém(pelo menos ninguém humano) pode nos acompanhar nela, pode nos dar a mão.

Li sobre isso em um livro há alguns anos já e nunca me esqueci, confesso que até então nunca tinha parado para refletir sobre isso. Eu recomendo é uma leitura que é fundamental para todos nós convivendo ou não com idosos, chama-se As Cores do Crepúsculo de Rubem Alves. É um livro maravilhoso, não posso descrevê-lo leiam e verão do que falo. Quando li não entendia muitas coisas, hoje entendo e convivendo diariamente com minha avó vou foleando-o pouco a pouco sem perceber. Sobre a morte, descortinou-se sobre mim quando perdi meu avó e antes quando percebia-o acabando sem nada poder fazer.

Por isso demonstremos todo o amor, todo o afeto que sentimos pelos nossos entes enquanto ainda há tempo. Cuidemos para que os últimos momentos sejam os mais felizes e repletos de amor. Cuidemos para que só restem boas lembranças quando eles se forem, e para que quando chegar o nosso tempo, deixemos mais do que lágrimas mas principalmente lições de seres humanos falhos, sim, mas que viveram e respeitaram todas as etapas da vida e as aceitou no espírito certo, aproveitando o melhor de cada uma delas.