segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Feliz ano velho!



Eu acho o "ano novo" engraçado, por vários motivos, um deles, pela possibilidade de fazer as pessoas acharem que tudo vai ser diferente só por causa de um minuto, como se naquele minuto alguma coisa incrível pudesse acontecer. Como se 00:01 o mundo passasse por uma transformação, as pessoas se tornassem melhores, os sonhos mais próximos, os fardos menos pesados. Sei lá, de uma maneira ou de outra as pessoas acham que algo vai mudar, tem obrigação de mudar. Aí elas fazem metas para o novo ano, prometem começar aquele regime, ser mais pacientes, mais solidárias, mas a maioria esquece tudo isso antes do carnaval.

Então me pergunto qual o sentido de tudo isso. É só mais um dia, como outro qualquer, nada de sobrenatural vai acontecer só porque mudamos de um mês para o outro. Vai ser só mais um dia, entre tantos, a mudança é só simbólica, vai continuar tudo no mesmo lugar.

Por isso o melhor a fazer é começar a "faxina" hoje, a dieta hoje, tentar ser melhor hoje e tentar manter isso todos os dias. A empolgação do ano novo passa rápido e se contarmos só com ela não conseguiremos nada de muito concreto, afinal o que pode sair de concreto em planos feitos sobre pura ilusão? Melhor mesmo é manter os pés firmes no chão. Sonhar? Sim, sempre, mas sonhar com metas que não dependam de um novo ano, da famosa "segunda-feira", mas que sejam construidas dia após dia.

No natal conversávamos sobre a falsidade por trás do "Feliz natal". Pessoas que no ano todo não olham pra nossa cara nem pra dizer bom dia, no natal desejam feliz natal com o maior sorriso, lembram que você tem mãe, vó. É uma coisa linda! Falávamos que não nos sentiamos a vontade pra ser como essas pessoas e sair desejando feliz natal pra essas pessoas, até porque o verdadeiro sentido de natal já foi esquecido pela maioria das pessoas mesmo. Eu prefiro não dizer nada ou dizer apenas para meus amigos do que sair cumprimentando a vizinhança inteira.

E a mesma coisa eu penso do ano novo. Além de como já disse, não achar que tem nada demais nisso, aí fica ainda mais sem sentido. Porque a verdade é que somos só nós "velhos homens" entrando para um novo ano velho. Nada muda se nosso esforço para essa mudança não acontecer todos os dias, se nossas metas não forem traçadas todos os dias e a tentativa para alcança-las não for constante.

E é isso que eu desejo para todos para esse ano que entra, firmeza nos propósitos, nos passos e muita, muita fé. Que Deus abençõe a todos sempre. Deus não escolhe data pra abençoar ninguém, não vai abençoar mais ou menos porque vamos mudar de calendário, então faça o que fizer faça de coração, empenhe todas as suas forças nisso e aí com certeza você terá bons frutos disso. Claro esses frutos muitas vezes vem disfarçados, nem sempre as coisas acontecem como desejamos, mas se depositarmos nossos desejos na Mão certa, podemos estar seguros de que o melhor irá acontecer.

Gosto de pensar em uma música da Pitty chamada "Semana que vem", que diz:" Não deixe nada prá depois, não deixe o tempo passar, não deixe nada pra semana que vem, porque semana que vem pode nem chegar". Pense nisso, quantas pessoas fizeram planos para o novo ano e não vão nem viver para realizar?

Então é isso, desejo tudo de bom para todos vocês, hoje e sempre! Vivam o hoje, não esperam o "melhor dia" para tudo, espere um pouco melhor de você a cada dia, para poder esperar um pouco melhor da vida, gire essa "roda" e verão como as coisas podem ser muito melhores. Digo isso para mim mesma, é o que desejo para mim também, a começar por hoje.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Planeta sintético



Pois é, mas uma vez eu tomei um chá de sumiço por uns dias né? E na verdade eu nem deveria estar aqui escrevendo agora, amanhã tenho um trabalho para entregar de 10 laudas, mas como eu já fiquei até as 2:30 assistindo um filme para esse trabalho e separando por tópicos cá estou eu, ocupando um dos "poucos" espaços que tenho como "massa".

Vi uma coisa no fantástico no domingo que me deixou chocada, trata-se de uma reportagem que falava das mudanças climáticas, fim do mundo e tal. Então, agora estão descobrindo e a coisa tá feia e aí começou uma corrida frenética pra saber quem tem a ideia mais idiota para salvar o planeta. O que você acha mais fácil, plantar mais árvores(por mais que elas demorem a crescer, um dia crescem) ou sair por aí distribuindo árvores sintéticas? Recriar uma coisa que a natureza já dá de graça! Pensar em poluir menos, encontrar formas alternativas para filtrar ou evitar de se liberar tantos gases poluentes para a atmosfera ou dar remédio para que as vacas arrotem menos? Pensar em uma sustentabilidade, em todos os sentidos (e isso incluiu leis mais rigorosas e tal para que parem de derrumar tantas matas para transformar em pasto) ou parar de comer carne bovina, parar de criar gado e pensar em uma cane artificial?

Aí você pode dizer, "ah mas das opções você deu todas já foram tentadas, algumas estão sendo estudas e muitas já estão sendo colocadas em prática." Sim, com certeza, mas será que está sendo feito um esforço suficientemente grande nesse sentido? A resposta é clara, não. E como isso não foi feito na hora certa agora querem correr atrás do prejuízo. A ideia deles é a seguinte "bom, talvez não chova nos próximos anos, então vamos ter que dar um jeito de criar artificialmente nuvens de chuva para ver se resolvemso isso, e se não tiver água não tem como ter pasto, nem gado, eles iam morrer a míngua". Porque quando tiver pouca água no planeta eles não vão querer distribui-la com um bando de bovinos né?

E assim vão remediando o irremediável. Eu não sei se sou tão otimista a ponto de pensar que o caminho que tomamos tem volta, sinceramente eu acho pouco provável, pelo menos humanamente falando sim. Nós já agredimos demais a natureza e ela está aí prevalescendo até hoje porque é "forte" mesmo. E agora esses "cientistas malucos" vem dizer que "filtrar" o arroto do gado, criar árvores sintéticas e carnes de "mentirinha" feita em laboratório é a solução? Por mais engenhosas que sejam esses projetos(que não ficam só nisso, claro), são completamente surreais. Eu fico pensando em qual o raciocínio usado por exemplo para a questão da carne artificial, e acredito que seja mais ou menos asssim: carne artificial = não comer carne de gado = a não ter que criar gado = a não ser preciso de pastos para eles = menos desmatamento. Um raciocinio mais óbvio seria esse, se é essa a ideia eu não sei.

O que eu sei mesmo, é que eu não quero viver nesse mundo que estão querendo "criar", acho desesperadora a ideia de viver rodeada de tanta artificialidade por todos lados, e tudo isso porque? Por que o homem não sabe cuidar do próprio "lar", própria vida. Não seria muito mais óbvio se pensar em reflorestamento por exemplo, ao invés de árvores sintéticas que façam o trabalho das naturais? Mas não, agora não há mais tempo não é mesmo? Pelo menos é o que a maioria pensa. Minha "humilde" opnião é de que há tempo ainda há. Ok, árvores demoram a crescer, rios são difícies de "despoluir", afinal destruir é muito mais fácil que restaurar mesmo, mas é muito mais óbivio que se pense em restaurar do que em "criar" essa aberação de mundo.

Só sei que eu não quero estar aqui se isso acontecer, se esse "mundo" for mesmo transformado nessa coisa estranha, nesse cenário de filme de ficção científica. Mas se estiver, se isso chegar mesmo a acontecer, sei lá, sinceramente não sei o que vou fazer, como vou me sentir, mas bem é que não vai ser, mas eu sei que não vou consumir essa "carne", "leite" e sabe-se lá mais o que eles "criarem", prefiro me isolar dessa "civilazação". Bom que Deus não permita que isso aconteça e dê um pouco mais de inteligência a esses cientistas do "mal", para que pensem e repessem esses atos, que usem todo esse conhecimento para salvar o planeta e não para remediar.

(Desde já peço desculpas por possíveis erros, não tive muit tempo de revisar, mas logo voltarei a escrever com mais frequência e com mais tempo de revisar, hoje é o último trabalho da faculadade, depois, férias!!!)

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

"A verdade nua e crua"



É esse é o título do filme que eu passei os últimos dias assitindo, mil vezes, indo e voltando. Porque? Para apresentação de um seminário na faculdade que propõe uma análise do filme juntamente com alguns textos que estamos estudando, sobre teorias da comunicação e tal.

Enfim, o seminário é hoje. E eu digo que ontem eu passei umas 6 horas estudando isso, pra não conseguir sair muito do óbvio. O filme é incrível, daria uma reflexão incrível com certeza, mas acho que consegui fazer algumas considerações. Porque fim de período e mil trabalhos pra entregar deixam nosso cérebro meio lento sabe? Estou até com medo de começar a escrever um monte de coisa errada, mas vamos lá.rs

O filme é bem interessante, propõe para nós comunicadores uma análise da mídia, para as outras pessoas, sei lá, pode até fazer pensar um pouco nisso também, mas acho mais provável que seja mais uma fala anti-puritanismo. Seja como for acho que poucas pessoas vão pensar na coisa como ela realmente é, as pessoas transformadas em méros n°s. Não importa a opinião delas, importa o ibope, essa é a "verdade nua e crua" da mídia, não importa o quão esperto você seja a mídia "vai te pegar". Ela usa toda sua técnica para te convercer de que seu produto é bom, aí mesmo que ela não te convença você se convence afinal, "a maioria aprovou, tem que ser bom".

A essa técnica é dado o nome de Espiral do silêncio, e tem como propósito fazer com que as pessoas sejam vencidas pela maioria. O nome vem do fato de não conseguirmos expressar uma opinião contrária quando a maioria defende outra. Por exemplo, se você estiver no meio de uma torcida do Flamengo em um jogo de Flamengo x Fluminense, você não vai gritar se o Fluminense fizer um gol né? Você vai ficar em silêncio. Logo, a maioria venceu. E é assim que funciona no espiral do silêncio, se a maioria das pessoas gosta de "Big Brother" mesmo que você não goste, dependendo da situação você assiste, e algumas vezes acaba gostando e pronto, o espiral funcionou. Enfim, estou estudando isso ainda, não sou experte, mas espero que tenha dado pra entender.

Sabe, quanto mais estudo Comunicação, mas me convenço de que todo mundo devia entender pelo menos um pouquinho sobre isso. Pra não ser tão submisso aos "mandos" e "desmandos" da mídia. Pra entender suas sutilezas, ser menos ingenuos. Não é que a "mídia" ou "o Mass Media" (que é o cara que "manipula" ou decide o que vamos ver) seja um monstro sabe? Mas santo "ele" não é. Por trás de tudo o que vemos tem um propósito muito bem definido, não existe nada por acaso nesse meio.

Bom, isso é só pra começar, eu vou aprendendo e ensinando pra vocês, combinado?rsrs Fala a modesta né? É só brincadeira, digamos que vou trocando experiências com vocês, vamos conversando, melhor assim.rs Espero não ter falado muita "abobrinha". Mas mesmo com meu pouco tempo de curso esse tipo de coisa já começa a ficar clara sabe. Aliás, eu indico, se você é curioso(a), quer entender mais sobre a sociedade e as formas de comunicação dela, sobre novas tecnologias, sociologia e muito mais, faça Comunicação Social, é fantástico! Eu estou amando. Apesar de ter ficado triste com uma conclusão que tirei estudando para o seminário de hoje.

Estudando as apostilas para o seminário me deparei com uma frase que me "chocou", pelo contrexto. Hans Seyle em seu livro, The Stress of Life, relata a fala de um colega de trabalho ao se deparar com o seu trabalho que era estudar substâncias tóxicas em animais. Parte da fala de seu amigo foi: " Você acaba de decidir-se por passar a vida estudando a farmacologia da sujeira". Meio complicado entender assim né? Mas vou tentar explicar. Essa sujeira levando para o nosso caso é essa "manipulação" da mídia. Engraçado como essa frase me assustou! Sei lá, não que tenha que ser sempre assim, mas caramba, eis um grande desafio, fazer essa "manipulação" de uma forma mais humana. Não ter que ficar empurrando essa "sujeira" de um lado para outro, como diria uma amiga da minha mãe " colocar chantili na bosta". Eis o nosso desafio, tentar fazer uma coisa limpa. "Manipulação", acho que não dá pra pensar em não usar, nós a usamos o tempo todo, nas nossas vidas, a questão toda é, se essa "manipulação" vai ser boa( se é que pode-se dizer assim), ou menos pior.

Ah.... Ser ou não ser, eis a questão! rsrs

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Até hoje sempre passou...


Foto by Marina(eu)..rs

Primeiro queridos, mil desculpas pelo abandono do meu blog, tempo pra mim anda sendo um artigo raro. Mas falta de tempo, problemas, cansaço, não é só ruim, há de se ver o lado bom de tudo isso.

Esses dias vira e mexe vem a minha cabeça uma coisa que ouvi uma vez, em uma fita, que já até citei aqui outras vezes. Isso mesmo fita, até hoje não encontrei em cd, chama "Como ser feliz de qualquer maneira". Pois bem, nessa fita em determinado momento conta da conversa de dois amigos enquanto caia um belo temporal. Um deles (que vou chamar de Paul porque não me lembro o nome) perguntou: "Twen, você acha que a chuva vai passar?" E ele respodeu: "Até hoje sempre passou".

Completamente simples e completamente esclarecedor não é?! É a coisa mais certa, as chuvas sempre passam. Quem é que pode dizer de uma chuva que não tenha passado? Até o dilúvio passou. Não importa o quão grande pareça um problema, ele passa, de uma forma ou de outra. Depois vem outro e outro, mas assim é a vida. Quando aprendemos um "lição" passamos para a próxima, é assim que a vida nos ensina a ser fortes, é assim que Deus nos molda.

Esses dias tem sido especialmente difíceis pra mim, mil trabalhos de faculdade, meu corpo cansado, a cabeça tão cheia que parece que vai explodir e eu ainda tenho que pensar em mim, e não tá sobrando tempo. Eu estou deixando as vontades "da Marina" pra trás pra cuidar do futuro "dela", empurrando "seu corpo" da cama todos as manhãs, mesmo que "ela" não tenha dormido quase nada. Afinal a vida é assim, ou você avança ou fica parado vendo ela passar por você. "Ontem" eu estava começando a faculdade, "hoje" estou terminando o primeiro ano. É o tempo voa.

Por falar em tempo. Já pararam pra pensar em como mesmo sem querer torcemos pra que nossas vidas passem rápido? Se é segunda queremos que seja terça, se é quarta queremos que chegue logo a sexta e o fim de semana para nosso merecido descanso. Ok, descansar é muito bom, mas viver a vida com todos os seus sabores e desabores, aproveitando cada momento é melhor ainda! Por isso é tão importante fazer o que gostamos, porque aí seremos felizes todos os dias e não vamos esperar tão ansiosamente pelos "finais de semana". No momento meu "fim de semana" tão esperado está sendo minhas férias. Como preciso de um descanso! E eu não estou conseguindo não sonhar com isso, eu não vejo a hora das minhas férias chegarem porque eu estou até adoecendo, de tal cansada. Mas faz parte, eu reclamava que minha vida era parada, agora "dale" movimentação!rs Mas vai passar, daqui a pouco tem férias, depois começa tudo de novo, até que um dia acaba e eu tenho certeza que vou sentir muita falta.

Que possamos viver ou tentar viver dentro do possível, um dia de cada vez, certos de que no fim tudo acaba dando certo, se confiamos em Deus, e claro fizermos nossa parte, da melhor maneira possível. E quando estivermos cansados das tempestades no caminho, ou mesmo da correria do dia a dia e pensarmos que não vai passar é só lembrarmos da chuva, afinal, a "chuva" até hoje sempre passou.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Ordem na bagunça



Sabe quando você percebe que sua vida tá uma droga(ou bem perto disso)? Quando você senta em frente a TV para assistir aquele filme da temperatura máxima que você já viu umas "500" vezes, só pra arrumar mais uma desculpa pra não arrumar seu quarto, que tá um lixo, diga-se de passagem. Até porque enquando você adia a arrumação do seu quarto você adia a "arrumação" da sua vida (que você não tá lá muito a fim de arrumar mesmo). Porque se você começar a arrumar vai ter que remexer em tudo, em todos os porões frios e úmidos, naqueles "objetos" que estão lá, escondidos há tanto tempo que estão cheios de bolor.

E você olha para o lado e vê que afinal você tem muito menos amigos do que supunha, os que tem são uns poucos que conquistou a pouco tempo, bem poucos de longa data e de infância "1 0u 2" que você tem pouco contato. E aí as pessoas olham para o seu orkut e pensam "poxa como ele(a) tem amigos!" Mas você sabe que 10 ou 20% da sua lista é de amigos de verdade. A maioria são conhecidos, alguns amigos de infância que você não conversa há uns 10 anos, mas adiciona pensando que pode reatar laços, talvez. Mas aí você percebe que não, eles só te cumprimentam no seu aniversário e pronto. E claro de certa forma é uma maneira de mostrar como a vidinha deles é legal e na verdade você também faz isso, usa o orkut como "vitrine", mesmo que na maioria das vezes nem perceba.

E quando você faz alguma "grande descoberta" na maioria das vezes você nem pensa em contar para algum amigo, pensa que pode dar um post legal, talvez. É esse mundinho virtual nos deixam meio isolados né?

Então você leitor pode pensar "caramba o "dono dessa vida" deve estar a ponto de se matar!" Mas não, porque pode ser o caso dessa pessoa ter um Deus tão incrível que faz com que essa descoberta não seja uma coisa tão ruim, muito pelo contrário. Até porque um dos poucos grandes amigos dessa pessoa diria que "é melhor viver desiludido que iludido". E sabe ele tem toda razão. Eu posso apostar que essa delilusão vai acabar levando essa pessoa para uma vida bem melhor, uma vida mais "real".

. Quarto - + ou - Ok
. Vida - "processando"

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

O "cheiro" das coisas


Foto by eu mesma..rs

Estou aqui curtindo uma nostalgia que nem é minha. Como assim? Vou explicar. Estou ouvindo Roberto Luna, acredito que poucas pessoas da minha/nossa geração conheçam. Ele é um cantor de bolero. Bom, como disse não é da minha geração e eu nem sabia que existia, até o último domingo. É que neste último domingo fui em Divinópolis fazer a prova do Enade, sim aquela que de que eu falei aqui no blog já, a que foi atrapalhada pela parada gay. Pois bem, no fim da prova eu passei na casa do meu tio/avô que mora lá e minha tia. Enfim, conversamos um pouco, ele tava meio angustiado, como tem ficado sempre ultimamente e me parece que ainda mais depois que meu avô, irmão dele morreu. No meio da conversa ele começou a mostrar uns discos e mostrou uma música do Roberto Luna, disse que um dos filhos tinha feito uma seleção e dado pra ele mas que ele só tinha uma música dele "Que murmurem", que não encontrava mais e tal. Aí eu me ofereci para procurar as tais músicas para ele, e nem foi difícil, o problema mesmo é que ele não sabe mexer em internet aí não tinha como encontrar.

Mas a questão é que eu estou aqui agora, ouvindo esse "tal" Roberto Luna. Não é meu estilo favorito, devo confessar, mas ele canta muito bem. E ouvindo ele eu comecei a pensar muito nesse meu tio, no porque dele estar tão triste. Quando eles envelhecem o que resta são as lembranças, não devia ser assim, mas é, tudo lembra alguma coisa. Aqueles tempos de moças na janela, homens dando volta do jardim cortejando essas moças e elas tímidas olhando com o canto de olho. Depois o casamento, os filhos pequenos, os planos, sonhos. E aí começam a pensar, se fizeram tudo o que queriam, se poderiam ter sido mais felizes, enfim se a vida valeu a pena. E mesmo que ela tenha valido ainda resta essa nostalgia, essa saudade sabe-se lá de que ou de onde. Como sei disso? É eu nunca fui velha, mas convivi com dois idosos minha vida inteira praticamente e conversava muito com meu avô, no fim da vida era nisso tudo que ele pensava.

É estranho, mas esse tipo de música o ritmo sei lá, me lembra alguma coisa também que eu não consigo identificar muito bem, mas pelo que me lembro meu avô ouvia essas músicas quando eu ainda era pequena, é que depois ele ouvia mais clássico, chorinho e tal.

É interessante pensar em como nosso mente funciona né? Agora a pouco andando no corredor do meu trabalho eu senti "cheiro de infância". Sabe aqueles cheiros que você sente e não identifica mas que te levou em um segundo para um determinado momento da sua vida? Pois é, isso acontece as vezes comigo, na verdade com todo mundo, de uma forma ou de outra. É alguma coisa ligada a memória olfatal, acho que é isso(será que existe esse termo?). O fato é que sempre que isso acontece nos sentimos meio estranhos, nostalgicos mesmo, nos sentimos mais velhos do que realmente somos, porque esse lugar pra onde somos transportados algumas vezes parece tão distante, tão remoto. Nós meio que "tocamos" esse passado por um instante, ele nos envolve e nos leva a um lugar estranho que já foi nosso mas não nos pertence mais. Por mais que a gente queira não dá pra entrar em uma máquina do tempo e ir lá pra dar uma espiadinha, tentar entender porque determinados "cheiros" nos fazem ficar felizes ou tristes. Meio doido divagar sobre isso né? Mas fala se não é interessante?!

E claro não falo só de cheiros em relação a olfato, mas a visão, audição, enfim, todos os nossos sentidos "trabalham" em nos trazer lembranças. As músicas do Roberto Luna por exemplo tiveram "cheiro" de vô. Não só porque eu ando lembrando muito dele esses dias, mas porque ativaram minha lembrança mesmo. Aquela coisa meio "Déjà Vu". Sei que agora que encontrei essas músicas vou entregar pessoalmente ao meu tio/avô, vou pegar de vô emprestado um pouquinho.

Termino com os versos de um brilhante poeta que fala bem de tudo o que tentei falar, ele simplesmente fala tudo em poucas linhas. Lembrei dele enquanto escrevia.

" No fim tu hás de ver que as coisas mais leves são as únicas
que o vento não conseguiu levar:
um estribilho antigo,
um carinho no momento preciso,
o folhear de um livro de poemas,
o cheiro que tinha um dia o próprio vento..."

Mário Quintana

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Prova do Enade em Divinópolis - Um espetáculo de desorganização



Depois do como sempre, brilhante post do meu amigo Ricardo Welbert sobre o tema(http://ricardowelbert.blogspot.com/2009/11/prova-do-enade-em-divinopolis-ofuscada.html), sobrou pouco pra dizer, mas mesmo assim quero deixar algumas observações.

Para quem está completamente por fora do assunto, no último domingo tivemos uma prova nacional, o Enade, que avalia as instituições de ensino. Eu e mais uma galera fizemos a prova em Divinópolis/MG em uma escola chamada Joaquim Nabuco. Pois bem, nós tentamos fazer a prova, porque bem na hora da prova no mesmo dia, no mesmo horário aconteceu uma parada gay, bem em frente a escola. Sim, em frente mesmo, tinha um trio elétrico, com som no último volume, fazendo as paredes da escola tremerem. Agora imagina você fazendo uma prova, com um bocado de questões bem pesadas, com muita coisa pra ler, que exigia muita concentração, com um "barulhinho" desse na sua cabeça. Pois é, a minha foi uma das piores, porque era a que dava pra rua, e a gente tinha a senssação de que tinha uma britadeira na nossa cabeça, só isso.

Depois de um tempo, uma meia hora de prova o diretor foi de sala em sala explicando a situação. Eles tinham um alvará, e por isso não poderiam fazer nada. Agora eu me pergunto, será que a polícia não sabia que haveria a aplicação da prova do Enade ali naquela escola? Com certeza sabia, o que nos leva a uma possibilidade apenas, facilitação pra o evento, o famoso "jeitinho brasileiro". Eu poderia estar muito enganada, mas nesse caso não, entendo um pouquinho disso, o suficiente pra saber que quando se libera um alvará tem que se verificar todos os eventos no mesmo dia, checar tudo e ver se o evento pode ser realizado. Pois é, eu não quero nem entrar na questão de mais ou menos importante. Mas essa prova já estava agendada a um tempinho né? Com certeza, então como é ninguém soube? A direção da escola também tem lá sua culpa, temos que considerar isso. Apesar da boa vontade do diretor, que explicou tudo, e no fim eu até conversei um pouco com ele e vi que ele realmente estava de mãos atadas. Mas assim como a direção dessa "parada" a direção da escola deveria ter checado melhor isso também, porque aí dava tempo de ir contra, já que a data da prova não poderia mudar, mas o a "parada" sim.

Pois bem, fica aqui meu protexto, para essas pessoas que "pregam" tanto o respeito mas são os primeiros a desrespeitarem. E pra que? Pra um evento completamente sem propósito pelo pouco que eu vi, ou melhor, ouvi. Um "batidão" direto, sem muitas palavras, sem conteúdo, que só pegaria mesmo uns desavisados que queriam mais era fazer uma "farrinha". Sei lá, acho que poderiam ter aproveitado melhor o tempo deles, afinal eles destruiram uma prova por nada, só pra "divertir" umas pessoas. Cadê todo o discurso deles? E não é questão de aceitar ou não a "escolha" deles não, nem entro nisso agora. Mas é questão de dar alguma coisa útil para ser discutida, sei lá. Eles pedem tanto por "voz" e quando tem não usam.

Eu sei que a maioria das pessoas não liga muito pra essa prova do Enade não, afinal vale ponto só pra instituição. Mas eu me importo sim e sei que não sou a única, mas pelo que percebi quando conversei com o diretor, somos minoria mesmo, porque pelo que falaram ninguém costuma reclamar de nada, por pior que seja, ninguém se importa. Percebi que ficaram positivamente surpresos com o interesse. Eu acho que muito importante sim, para as instuições de ensino serem avaliadas, e no fim das contas nós ganhamos com isso, porque se não estiverem bem podem ser ajudadas pelo governo, ou podem melhorar o que já está bom. E não é só por "consciência" do governo não, o país é avaliado muito por essa questão, o índice de desenvolvimento humano depende disso, e eles querem ficar bem lá fora, ainda mais agora com copa, olimpíadas, enfim. Pelo menos é o que se espera né? Não por isso, mas pelo Brasil mesmo, pelo povo. Se não for pedir demais. E se essa prova existe é sinal de que a preocupação com a educação, mesmo que em pequena escala, existe, e nosso papel e aproveitar esse tipo de "incentivo" que é tão raro.